Sexta-feira, Janeiro 06, 2012

Blog de casa nova ;)


Mudei para o www.ericahans.com.br

Atualizado diariamente.

Corre lá! ;D


Domingo, Agosto 14, 2011

Lá ela ia

Lá ela ia,
Sem ter razão mas cheia de alegria
Só se precisa de uma paisagem pra admirar,
Ou de repente uma mão pra segurar
Pra se sorrir

Lá ela ia,
Desengonçada mas com passos certos
Era engraçada de um jeito sério
Levava a vida como quem ia ganhar

Ah, se a vida fosse um jogo
Ela era o vendaval
Que levava as cartas e deixava todos felizes
Por não precisar
Estar, classificado
Entre coringa ou jogador
Cafe com leite ou vencedor
E todo mundo podia ser gente
So por diversão

La ela ia,
De salto alto e os pés no chão
Pequenininha e cheia de imensidão
Ficava do tamanho dos seus sonhos
E contava todas as estrelas
Uma por uma ao dar boa noite
E beijar as cinco pontas
Uma por uma
Antes de dormir

Quarta-feira, Agosto 10, 2011

Menos mente, mais coração





O lema é: Mais leveza e menos drama. Como diria aquela propaganda: "o que faz você feliz?" A lua, a praia, o mar...e eu tinha um pacote da minha bolacha preferida do lado do computador.

Engraçado: quando a gente é mais novo, a gente faz o que gosta, sem pensar. Depois que vai envelhecendo, precisa se lembrar de colocar no calendário de tarefas e projetos diários o que gosta. A rotina engole a gente e no fim do dia, do mês, e da semana, ficamos inundados de obrigações (que sim, também amamos). Mas obrigações são sempre diferentes de paixões, e é sempre bom lembrar-se disso.

Hoje fiquei observando meu priminho de 9 anos, e a sua pequena rotina. Já era por volta das 21h quando terminou a lição de casa. Sem pensar, correu tocar guitarra, dedilhou, tocou, tocou. Depois foi jogar um quebra-cabeças, mais pra frente um pouco de videogame e por fim... foi deitar.

Aposto que ele não passou a noite anterior em claro pensando que precisava fazer tudo isso para ter um dia completo e feliz. E fez sem pensar.

E com essa pequena observação, concluí:

Menos mente, mais coração.
Vale pra tudo.

Terça-feira, Julho 26, 2011

O dia perdido



Eu me amo pela manhã,
E me odeio pela noite.
Pela manhã, sou heróica. Posso tudo.
Se acordo cedo, antes dos carros e buzinas se espalharem pela cidade,
estou a frente da vida.
Segura da cidade e da cidadã.
Posso estar descalça, tomando café, recém coado, esparramada no sofá.

De manhã eu não sou funcionária. Não tenho chefe nem sou chefe de ninguém.
Sou apenas gente com o cabelo bagunçado. Com os olhos ramelados.
Que não tem obrigação de estar feliz, nem triste - e tudo bem se a minha boca não tiver gosto de menta.

De manhã eu sou apenas eu e meu pijama amassado.
De volta do infinito, trazendo todos os sonhos do mundo.
Com coragem pra colocar o nariz na rua enfrentando à realidade,
e a rotina que se faz tão necessária quanto o ar.


Mas quando volto,
pra casa à noite,
não me conheço.

À noite eu sou a pessoa que saiu atrasada,
que não comeu direito,
reclamou demais e malhou de menos,
respondeu mal quem não devia e bem quem temia,
cometeu erros e deixou de cumprir com 120% das obrigações.



À noite eu sou alguém cansada,
cheia de culpas, e sem abraço,
com os problemas familiares na linha telefônica,
com a louça pra guardar
e as roupas espalhadas pela casa.

À noite eu sou alguém que olha pro teto
e anseia pela manhã,
Onde poderei novamente ser,
Apenas eu,
Cheia de sonhos,
Sem rótulo sem cargo ou sobrenome
No vazio do meu sofá.

[Fotos Erica Hans por Gabo Novaes / jul 2011]

Terça-feira, Junho 07, 2011

Reencontros, ostras e outras coisas que eu queria te falar

O que ele não entendia nela era como ela podia carregar todo o amor do mundo. Nada a impedia. Agressões, malfazejos, atitudes ásperas ou rude. Não. Podia ser o que fosse: palavras feias e gratuitas, bloqueios virtuais e até reais, olhos frios e longes, toques assustados. Ele tentou de tudo. E não havia nada que a parasse. Aquela menina parecia impossível de se desprender do sentimento de amor.

Ela era incapaz de sentir raiva. E isso o deixava com mais raiva ainda. Como seria possível, meu Deus, ter tanta leveza na alma e no peito, mesmo quando ele fazia o que mais deveria fazê-la doer?

O sentimento era como se fosse o seguinte: um menino pobre, que em alguma época da sua vida, teve toda a riqueza do mundo. Aquele monte de ouro e jóias raras que escorriam de sua mão brilharam tanto os olhos dele que quase que cegara. Mas aí, como um vendaval, levaram tudo. E o menino ficou de novo, sem ouro, sem brilho, sem nada.

Um dia deparou-se com aquela menina. Que era puro brilho, como uma esmeralda. Ela tinha brilho verde. Brilho amarelo. Brilho azul. Até seu cabelo, era um rubi. Por conta disso, o menino só ia de encontro a ela no calar da noite. Porque se ela brilha assim, no escuro, imagina só de dia - "e se sua visão cegasse de uma vez?"

Aos poucos, o menino começou a sentir raiva do brilho dela. Ela não tinha ouro nas mãos. Ela era o ouro em si própria, de uma riqueza que ninguém jamais lhe dera e que ninguém poderia roubá-la. Ela nasceu assim.

Respirava luz e entendia que podia emprestar um pouco de doçura e amor praquele menino.
Inundava e irradiava onde quer que passasse com seu espírito leve.

De vez em quando, ele sentia que precisava ver o brilho. E aí ele vinha ao encontro dela. Inconscientemente. Ele não conseguia entender. E sentia mais raiva. Sentia raiva de ter vindo. Sentia raiva dela. Tentava feri-la com seu toque frio. Com suas palavras. E até com algumas mentiras.

E ela o olhava com seus olhos-diamante. E ele achava que brilhavam porque estava olhando pra ele. E sentia-se muito importante e feliz. O que ele não sabia é que eles eram naturalmente assim. E brilhavam desta forma ao olhar para a vida inteira. Inclusive nos dias sem sol.

Ela só queria que ele entendesse,
que o sentimento mais puro do amor,
não de uma gente pra outra
mas de gente pela gente
de gente pra coisa
de gente pra mundo,

isso é infinito, abundante, uma fonte que jorra inesgotável.
e isso ninguém pode roubar ou por ou tirar.

Ela sabia que ele era uma ostra. Cheio de areia no meio do peito.
Mas que de pérola em pérola, ele poderia ser um belo de um colar pra ser carregado por aí no pescoço de alguma donzela. E a que ele escolhesse.

"As pérolas perfeitamente esféricas só se formam quando o parasita é totalmente recoberto pelo manto, o que faz com que a secreção de nácar seja distribuída de maneira uniforme."
E ela gosta tanto dele...
(ela vê a pérola que um dia pode vir a brilhar)

No pescoço da donzela que ele, que ele quiser adornar.

Domingo, Maio 08, 2011

Carta de nós mesmos

Tinha sido uma semana difícil. Eu, não lembro exatamente quando, mas há algum tempo atrás criei o que eu chamei de " tratado da perfeição " , que se resumia a um punhado de regras que eu deveria seguir pra ter a vida que eu considerava suficiente pra mim. E esse tratado implicava em um monte de coisas, que para muitas pessoas possa ser básica, mas que era um esforço pra mim. Coisas como dormir e acordar no mesmo horário, manter as gavetas organizadas (ou pelo menos as roupas não espalhadas), malhar todos os dias e comer a quantia certo de porções de proteínas ou carboidratos que uma boa alimentação deveria ter.

Em um segundo nível, enquanto fui ficando mais velha, comecei a me cobrar de outras coisas. Manter meu trabalho perfeitamente impecável, prevendo problemas e estando a frente de todas as coisas, dinheiro sobrando no banco, controles financeiros, como evitar o consumismo, um bom relacionamento familiar e manutenção de boas amizades.

A parte espiritual e controle emocional também me cabiam na lista do meu controle. Estar sempre conectada com o cosmos e com Deus, manter um coração limpo e leve e uma alma sonhadora e otimista. Equilíbrio, equilíbrio de humor seria fundamental, porque era esse último que me ajudava a reger todas as coisas.
Por último, eu criei essa coisa de postura social para relacionamentos e o que chamo de "imagem de altivez". Eu pretendia me tornar uma mulher calma, que tem aquela aura de que sabe o que está fazendo, que detêm uma atmosfera que fazem todos ficar perto. O retrato da paz, mas tudo somado com mistério pela pouca informação ou poucas palavras que eu deveria ter.

Ou seja, o que eu previ pra mim era ser um ser extremamente agradável, equilibrado, eficiente e praticamente, como venho a concluir agora, robótico.

E o não cumprimento destas coisas me transformavam em um ser culpado, prestes a chicotear-se. Como seria possível eu não cumprir todos estes itens básicos que parece ser o cal de que foi construído o mundo? Não é natural alguém acordar e dormir na mesma hora? Ou consumir a mesma quantia alimentar, mesmo que variada, sem insensatez? E o humor? Jamais poderia oscilar ou ofender alguém, afinal, estando ancorada no meu tecido cósmico, eu relevaria e analisaria instantaneamente tudo que alguém falasse e poderia reagir da forma mais correta possível.

E, aparentemente, obcecada por essas coisas datadas como "básicas", eu fui esquecendo o que realmente era latente em mim. Ocupada em formar uma imagem de condessa doce perante à sociedade, cresci em meu peito amarras que, ironicamente, me deixavam cada vez menos segura para ser o que eu era.

Mas quem eu era? Eu era a voz da espontaneidade. Eu era artista. Eu era música. E na minha extremidade é que eu fazia notas ordenadas e doces, que apaziguariam o coração e a atmosfera de qualquer um que pudesse escutar (e isto sem a minha presença, onde quer que fosse).

E no meu horário "chinês" de passar o escuro em claro é que eu reluzia nas minhas frases doces e enchia o peito de inspiração para falar, escrever, compor, e cutucar a mais profunda das minhas entranhas.

O meu natural era uma bagunça oficialmente organizada, ousada, e incrível. E eu passando esse tempo todo ocupada em ser um ser socialmente aceitável, perfeito pela unha bem feita e a sobrancelha delineada. Pela voz em tom constante sem agudo que fosse. (Bastante difícil vindo de um soprano).

Hoje, cheguei em casa, abri o armário e peguei um copo de vinho. E notei que eu deveria me libertar desta construção estável que criei pra mim mesma, afinal, tudo bem deixar uma meia espalhada vez ou outra, ou, alguns dias com a casa bagunçada, desde que eu pusesse ordem no que me sufoca se eu não organizar: os meus sonhos, os meus ideias, a minha promessa de vida que nada tem a ver com a imagem que eu passe numa roda de amigos ou numa profile de rede social, nada tem a ver com o meu número de sapatos ou a forma como estão disposta as cores no meu guarda-roupa, nada tem a ver com não comer carne ou correr todos os dias na esteira.

Eu queria aparecer pro mundo no avesso, e é nesse avesso que eu tinha que por ordem quando pusesse para fora: em letra, que pudesse inspirar, em melodia, que pudesse tocar e em canção, que independente de que forma estiver a caixa de e-mails ou de bijouterias... tudo isso não tem importância, quando eu ouvir a minha voz saindo do peito de forma mais natural do que qualquer ordem que eu quisesse ter posto.

Terça-feira, Abril 26, 2011

dos nossos amores

o menino não aprendeu que,

com a minha insistência pelo seu amor,

era na verdade pra ele entender

que o amor não era uma coisa que acabava.

portanto, que ele não poderia ter ainda desistido de tudo,

como do amor dele por ela

(eu disse a ele pra tentar mais uma vez)

e ele me disse:

"não adianta"



o amor não é cego não é burro

o amor não é passível de definição,

e nenhuma palavra nossa pode ter a dignidade ou a ousadia de tentar descrevê-lo.